domingo, 24 de janeiro de 2010
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Os problemas precoces da 2ª Era-Galáctica...
Eis que depois de vermos chegar a Madrid nomes como Cristiano, Kaká e Benzema, vemos agora partir Robben (Bayern de Munique), Sneijder (Inter de Milão), Huntelaar (Milan), entre outros. Como todos se recordarão, Perez incumbiu o director-geral do clube, Jorge Valdano, de arranjar 100 milhões de euros, para fazer face aos 257,4 gastos e que tantas críticas provocaram, com os cépticos do costume a questionar onde é que o engenheiro civil ia buscar tanto dinheiro, quando toda a gente fala em crise e tendo a certeza que o dinheiro não veio da sua vasta fortuna. Já deu para perceber que o Real teria de vender para cobrir parte dos gastos em contratações, nem que esta parte apenas cobrisse a transferência de Ronaldo, como foi o caso (88,5 milhões face aos 94 que envolveram a maior transferência de sempre até ao momento). Contudo, o que não se percebe é, por exemplo, a venda de Arjen Robben. Já todos sabemos que o Real é um clube especializado em fazer maus negócios (compra o Robben – grandíssimo jogador, dos melhores extremos do Mundo – por 36 milhões e, ao fim de 2 épocas, vende-o por 25, compra o Sneijder por 27 e, ao fim de 2 épocas vende-o por 15 milhões – os quais podem acrescer para 18, consoante os objectivos sejam, ou não, cumpridos), porém, se a venda de Sneijder é aceitável, tendo o clube realizado duas magníficas compras para a linha média – a saber: Kaká e Xabi Alonso – e contando nos seus quadros com jogadores como Lass (herdeiro do 10 de Sneijder, que outrora já pertenceu a Figo), não descurando nunca a recompra de Esteban Granero ao Getafe, já o mesmo não se pode dizer da venda de Robben. Dir-me-ão que, para servir os intentos de Perez, para reunir os 100 milhões exigidos por este (que também são agora a cláusula de rescisão de Hulk), o principal clube de Madrid, campeão europeu por 9 vezes (recorde), tinha de se ver livre de Arjen, uma vez que a venda do esquerdino holandês representa logo 1/4 dos 100 milhões. E agora eu pergunto: quanto é que custará a vinda de Ribery? 60? 70? 80? Pois é, é que esta história de se desfazer de um jogador como Robben por 25 milhões, quando este foi comprado por 11 milhões a mais, o que, a juntar ao salário que este auferia no Bernabéu (4.5 milhões de euros/ano) elevam a despesa das 2 temporadas para 45 milhões (36 pela compra ao Chelsea, somados aos 9 de 2 anos de salário) e apontam para um prejuízo financeiro de 20 milhões. A vinda de Ribery sairá sempre muito cara e nunca se fará por menos de 50 milhões, tendo em conta a qualidade do (ainda) bávaro, pelo que a viajem de Arjen para Munique terá com certeza a mãozinha de Perez. Prosseguindo o meu raciocínio, imaginemos que Ribery se transfere para o Real na próxima temporada (o que se está mesmo a ver, uma novela tirada a papel químico da protagonizada com Cristiano quando este ainda era CR7) pelo preço de 65 milhões e que passará a auferir um salário anual na ordem dos 8 milhões (Cristiano Ronaldo é neste momento o jogador mais bem pago – sem contar com Beckham –, recebendo 13 milhões anuais, seguido de Ibrahimovic com 9,5 e Kaká com 9), num contrato que contempla a ligação de 5 temporadas de ligação entre o atleta e o clube. Toda esta mistela resulta numa operação de 105 milhões de euros! Sem questionar a capacidade de Ribery, que é enorme, tratando-se o francês de um jogador que muito aprecio e que gostaria de ter visto a jogar de blanco já esta temporada, apenas pretendo desmistificar esta operação da venda de Arjen Robben para o Bayern, operação esta que a MARCA (jornal conotado com o clube madrileno) quis passar aos adeptos do Real como sendo uma grande operação, mas que não caiu lá muito bem por entre a massa adepta do clube e que rapidamente arrancou inúmeras críticas por entre os cronistas do jornal, ignorando as inúmeras lesões que afectaram o homem de cristal ao longo do seu percurso merengue e que apenas o permitiram estar presente em 3357 minutos de jogo, correspondentes a 44,7% dos 6480 possíveis.
É o custo de se querer ver livre de jogadores de classe mundial, menino Perez!
Estabelecimento de prioridades e baixa de peso
Começando pela primeira parte da frase. O Real, como todos os clubes, não escapa ao Estabelecimento de Prioridades. Assim, quero com isto afirmar que, tendo no plantel um extremo com a qualidade de Robben, e sabendo o prejuízo que irá trazer desfazer-se do jogador e contratar Ribery, o clube, ou melhor, os seus dirigentes, ou melhor ainda, Florentino Perez, pode tentar ludibriar os adeptos, dizendo-lhes que se trata de um grande negócio desfazer-se de Robben por 25 milhões (quando no entanto, o clube já gastou 45 milhões com o jogador) e contratar Ribery que, por muito que seja superior a Robben (e aqui as opiniões dividem-se – mesmo sendo superior é sempre discutível se é superior o suficiente para os gastos que irá acarretar esta troca) irá trazer um custo brutal, quer a nível da transferência em si, quer a nível do seu salário, com Robben a receber 4,5 milhões/ano, o francês não se ficará, claro está, abaixo dos 7/8 milhões.
Perez, Valdano e Pellegrini: quem manda?
Aqui reside o problema à partida para o Real continuar atrás do Barcelona e para o segundo mandato galáctico de Perez não resultar. Já aqui defendi (volto a repetir: muito antes do anúncio oficial da segunda candidatura de Perez à presidência) a mentalidade galáctica, mentalidade esta que tem de ser acompanhada por uma boa política desportiva e não só financeira, pois é da primeira que se parte para a segunda e o acto de pôr a carroça à frente dos bois já teve resultados que não foram os desejados no primeiro mandato de Perez (6 anos), com o Real a sair-se bem na primeira metade e mal na segunda. O que vimos a assistir é uma pessoa a querer mandar (e a poder), Perez, outra a discordar em algumas coisas mas a ter que acarretar com ordens superiores, Valdano, e o último a comer do que lhe dão, Pellegrini, que não se pode dizer que seja mau (Ronaldo, Benzema e Kaká), mas pode sempre ser melhor, ainda para mais se tivermos em conta a revolução na equipa, que é sempre difícil de controlar. Exemplo mais gritante: Pellegrini afirmou que contava com Wesley Sneijder e Arjen Robben, Valdano partilhava da opinião do treinador, pelo menos em relação a Robben (e quem lia as crónicas de Valdano no jornal A Bola percebia rapidamente que Valdano era um confesso admirador de Arjen Robben, defendendo sempre o jogador, quando este era acusado de ser individualista em demasia, afirmando que um jogador como Robben tem de ser assim), contudo Perez tinha uma opinião diferente, fazendo sair os 2 jogadores. Recordo-me, com todo este episódio, duma entrevista recente de Figo que afirmava torcer pelo Barça pois, apesar dos vários anos em que vestiu a camisola que agora pertence a Lassana Diarra, tinha deixado muitos amigos na Catalunha, pelo que estes tinham a sua prioridade. Quando questionado sobre o porquê da sua saída/do falhanço dos galácticos (de relembrar que Figo foi o primeiro galáctico de Perez, mas que, já no fim da sua estadia, com o clube a ser treinado por Wanderley Luxemburgo, Perez cortou as pernas ao português, entrando no domínio do treinador e dando ordens a Wanderley para não colocar o antigo 7 da selecção a jogar), Figo afirmou que quando o presidente se intromete nas opções do treinador está tudo estragado. Parece-me que é um pouco isso que se está a passar: Perez vai comprando os seus brinquedos, tal e qual fez com Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham, Owen e, mais recentemente, com Cristiano, Kaká, Benzema e Xabi Alonso e esquece-se daquilo que é mais importante, escolher um grande treinador e dar-lhe a liberdade necessária para gerir a equipa. Com a sua vontade de criar ilusión na afición, Perez relega as opções do treinador para segundo plano, achando, por ventura, que está a fazer o melhor para o clube, não se apercebendo, com isso, que o está a sufocar á partida.
Para encerrar, deixo agora aqui a mesma pergunta que Roberto Gómez, colunista espanhol do jornal MARCA, colocou no passado sábado, dia 29, após lançar uma questão retórica para o ar, onde reflectia sobre a cara com que Pellegrini podia encarar os seus jogadores após afirmar que conta com uns que, ao fim de uns dias vêem a porta de saída do clube, onde este lançava uma pergunta extremamente perspicaz: faria o mesmo Perez a Capello, Ferguson ou Mourinho? Uma excelente questão que só tem uma resposta, todos sabemos qual é, incluindo os jogadores, os primeiros a senti-lo na pele e os primeiros a sofrer as consequências.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
E aumenta a legião holandesa...
Está encontrada a primeira transferência de Inverno do Real Madrid que, obrigatoriamente, teria de recair na escolha de um ponta-de-lança por “imposição” da lesão do “matador” da equipa merengue Ruud Van Nistelrooy. Dá pelo nome de Klaas-Jan Huntelaar e se pensavam que o pulo de Hunt (25 anos, 186 cm e 80 kg) para os maiores palcos europeus iria ser mais uma vez adiado desenganem-se, pois desta vez é certa esta hipótese.
Huntelaar viaja para a capital espanhola, onde irá assinar um contrato válido por 4 épocas e meia (até 2013), numa operação que obriga o Real a despender 20.000.000€, verba esta que poderá acrescer para 27.000.000€, consoante as prestações do avançado neerlandês.
Em matéria de golos, sua especialidade, este já leva 10 pela selecção, em apenas 18 partidas realizadas (o que perfaz uma média de mais de um golo em cada 2 jogos) e, ao todo, até hoje, pelos clubes, 136 golos em 192 jogos (média de, aproximadamente, 0.7 golos/jogo (!)). Com tudo isto, quem não deve estar nada contente são os adeptos do clube de Eindhoven, mais propriamente do PSV, que viram o seu clube deixar “fugir” esta pérola que, aquando da sua estreia pela equipa A, com 19 anos, em 2002, tinha acabado de fazer uma época brilhante ao serviço dos juniores do clube, onde marcara 26 golos em 23 partidas (aproximadamente, 1,1 golos/jogo). Não obteve um lugar na equipa principal e foi emprestado a dois clubes: desde Janeiro de 2003 até Julho do mesmo ano, ao seu clube formador, o De Graafschap, onde em 9 partidas não teve nunca a oportunidade desejada para ir buscar a bola ao fundo das redes e, na época 2003-04, ao AGOVV Apeldoorn, recém-promovido á Segunda Liga Holandesa, onde já foi bastante mais feliz, na medida em que fez o gosto ao pé por 26 vezes em 35 jogos por si disputados. A época terminou, o Heerenveen foi buscar este tal miúdo de 21 anos que “do nada”, isto é, sem que nada o fizesse prevêr, se tornou no Melhor Marcador e Melhor Jogador do Ano da Segunda Liga Holandesa da época 03/04 e que apenas queria jogar com regularidade, coisa que não o deixavam fazer em Eindhoven. A operação custou apenas 900.000€ aos cofres do clube da Frísia, uma autêntica pechincha para um jogador que se revelara de tão grande potencial. Na sua primeira época a titular na Primeira Divisão Holandesa, com apenas 21 anos, repito, o resultado foi inquestionável: 46 jogos, 34 golos. A sua passagem por clubes de menor nomeada não poderia durar muito mais, e que o diga o Ajax que não titubeou e juntou o utilíssimo ao agradabilíssimo, pois contratou um grande jogador, um goleador-nato, e deu uma facada no rival, pois, mesmo que no campeonato holandês isso não seja tão polémico como o é no português, é sempre “chato” vender um grande jogador a um rival, isto em pleno Mercado de Janeiro da época 2005-06 (22 anos) – custou 9.000.000€ aos cofres do clube mais prestigiado de Amesterdão. Com esta contratação, a legião holandesa no Real passa a ser ainda maior, quando já lá “moram” jogadores como Royston Drenthe, Wesley Sneijder, Rafael Van der Vaart, Ruud Van Nistelrooy e Arjen Robben subindo, portanto, de 5 para 6 jogadores .
Esta contratação foi a primeira das duas que Ramón Calderón prometeu para este mercado de Inverno. Os outros dois nomes mais falados são Carlos Tévez (Man Utd) e Angel Di María (Benfica). Diz-se que Kia Joorabchian, empresário de Tévez, está insatisfeito com o United, por este se ter comprometido a accionar a opção de compra de Tévez no Verão e, até ao momento, não o ter feito (opção esta que expira a 30 de Janeiro de 2009, apesar de o contrato de “Carlitos” Tevez com o Manchester “só” terminar a 30 de Junho do próximo ano). Contudo, a hipótese-Tévez perde força pela aquisição de Huntelaar para ocupar a vaga deixada em aberto por Nistelrooy e é Di María quem surge agora nas manchetes dos media espanhóis. Fala-se inclusivamente na possibilidade de Albín, Uche ou Soldado, todos jogadores do Getafe, viabilizarem a saída de Angelito, caso venham jogar para a Luz. O certo é que Di María tem qualidade, isso é inegável, porém ainda não deu qualquer prova de ser uma contratação segura, sendo, por isso, uma aposta arriscada. Por outro lado, um negócio igual ou acima dos 20 milhões de euros para o Benfica seria bastante bom.